Juventude, território e decisão: Rede Curica consolida atuação política no 22º ATL
- redecurica
- 30 de abr.
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Da base ao centro da decisão: Rede Curica fortalece incidência política no 22º Acampamento Terra Livre
A participação da Associação Indígena Socioambiental Curica – Rede Curica no 22º Acampamento Terra Livre (ATL), realizado em Brasília, consolidou um movimento estratégico que vai além da presença institucional: trata-se da afirmação do território indígena Potiguara/PB, como espaço de produção de soluções concretas frente à crise climática e socioambiental.
Durante os dias de mobilização, a atuação da Rede Curica se deu de forma direta em agendas com órgãos públicos, organismos internacionais, fundos de apoio, redes da sociedade civil e movimentos indígenas, fortalecendo articulações e ampliando o alcance das iniciativas desenvolvidas no território. Mais do que participar, a organização ocupou espaços de decisão, levando evidências, experiências e propostas construídas a partir da base.
Esse movimento evidencia uma mudança de posição: sair do lugar de quem apenas denuncia para assumir o papel de quem propõe caminhos. A partir da vivência territorial, especialmente nas ações de restauração ecológica e manejo da sociobiodiversidade, a Rede Curica apresentou respostas concretas aos processos de violência socioambiental que impactam o território Potiguara/PB.
Articulação, visibilidade e construção de caminhos

As agendas realizadas com instituições como Ministério Público Federal, Ministério dos Direitos Humanos, FUNAI, SESAI, Fundo Brasil de Direitos Humanos e Fundo Casa Socioambiental ampliaram a visibilidade das ações desenvolvidas no território e abriram caminhos para continuidade e expansão das iniciativas.
No campo internacional, o diálogo com embaixadas e organismos multilaterais reforçou a necessidade de ampliar o acesso direto de povos indígenas a mecanismos de financiamento climático, especialmente para biomas historicamente invisibilizados, como a Mata Atlântica e a Caatinga.
Ao mesmo tempo, as articulações com juventudes indígenas de outros territórios resultaram na construção de intercâmbios concretos, fortalecendo a troca de saberes e a atuação em rede, com destaque para a parceria com o povo Potiguara do Rio Grande do Norte.
Juventude, território e soluções em curso

A presença da juventude indígena foi um dos elementos centrais da participação da Rede Curica no ATL. A atuação do grupo Ta’ynhetá Potiguara, voltado à coleta de sementes, produção de mudas e mobilização comunitária, evidencia que as soluções territoriais já estão em curso e são conduzidas por quem vive o território no dia a dia.
Esse protagonismo se conecta diretamente com uma das principais agendas fortalecidas durante o ATL: a consolidação da atuação dos Agentes Indígenas Ambientais (AIA) como estratégia estruturante de resposta à crise socioambiental. A proposta busca reconhecer, estruturar e institucionalizar um trabalho que já existe no território, articulando restauração ambiental, geração de renda e permanência da juventude.
Integração entre território, políticas públicas e justiça climática

As discussões com a SESAI e outros órgãos evidenciaram a necessidade de integrar saúde, saneamento e gestão territorial, especialmente diante de impactos como contaminação ambiental, processos erosivos e degradação de áreas sensíveis, como o manguezal.
Nesse contexto, a atuação da Rede Curica reforça que a resposta à crise climática passa necessariamente pelo fortalecimento de soluções construídas pelos próprios povos indígenas, a partir de seus conhecimentos, práticas e formas de organização.
Comunicação como estratégia de incidência

Como desdobramento da participação no ATL, a Rede Curica realizou 6 publicações nas redes sociais, alcançando mais de 15 mil visualizações, ampliando o acesso às pautas debatidas e fortalecendo a comunicação como ferramenta de mobilização e incidência política.
Esse movimento demonstra que a disputa também se dá no campo narrativo: comunicar o território, suas práticas e seus desafios é parte fundamental da luta por reconhecimento e direitos.
Do território para o mundo, do mundo de volta ao território
A principal aprendizagem consolidada a partir do ATL é direta: não há fortalecimento territorial sem incidência política qualificada. A atuação da Rede Curica reafirma que é necessário estar simultaneamente na base e nos espaços de decisão, articulando práticas locais com agendas nacionais e internacionais.
A experiência em Brasília não se encerra no evento. Ela retorna ao território em forma de articulação, estratégia e ação. Porque, para o povo Potiguara/PB, o futuro não é uma projeção distante: ele está sendo construído agora, a partir do território.


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