Mostra Curica 2025: cinema, memória e protagonismo indígena na Aldeia Três Rios
- redecurica
- 11 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 23 de dez. de 2025

Entre janeiro e dezembro de 2025, a Rede Curica realizou a 1ª edição da Mostra Curica – “Vozes Potiguara: fortalecendo iniciativas locais através do audiovisual”, contemplada pelo Edital Vladimir Carvalho de Fomento a Mostras e Festivais de Cinema da Paraíba. A iniciativa nasceu de um planejamento coletivo, construído em reuniões com a comunidade e a equipe da Rede Curica, garantindo que o projeto refletisse as prioridades do território, o protagonismo indígena e a centralidade do audiovisual como instrumento político e educativo.
Inicialmente prevista para acontecer na Kurika R-Oka, no espaço do Projeto Curica, a Mostra foi estrategicamente deslocada para a Escola Estadual Indígena Pedro Máximo de Lima, na Aldeia Três Rios. A mudança ampliou a infraestrutura, a acessibilidade e a participação direta da comunidade escolar, fortalecendo o caráter formativo da ação. Foram definidas turmas específicas do Ensino Fundamental II e Médio, com inscrições voluntárias e autorização das famílias, resultando na participação direta de 16 estudantes e no envolvimento de toda a escola.
Ao longo dos encontros, a Mostra Curica reuniu oficinas de acessibilidade cultural, teoria e prática de audiovisual, comunicação indígena e pintura, ministradas por profissionais parceiros, como o coletivo Pé de Figo Filmes e a Caleidoscópio Acessibilidade. Os estudantes tiveram contato com câmeras profissionais, técnicas de enquadramento, roteiro e autodescrição, além de debaterem inclusão e acessibilidade nas produções culturais. A parceria com a UFPB / Labarandu garantiu o empréstimo de equipamentos e reforçou o diálogo entre universidade e território.
A programação da Mostra contou com a exibição de diversos filmes com temática indígena, produções locais e regionais, apresentações de grupos culturais Potiguara, como Juventude Potiguara, Toré Pitanga Potiguara e Iandé Anama Oikobé, e momentos de Toré, rodas de conversa e partilha comunitária. As sessões foram acompanhadas de debates com realizadores e comunidades, fortalecendo a memória coletiva e a transmissão de saberes intergeracionais.
No total, cerca de 40 pessoas participaram diretamente da organização, oficinas e curadoria, entre estudantes, equipe da Rede Curica, oficineiros e lideranças comunitárias. Considerando estudantes não inscritos, moradores da aldeia e convidados, estima-se que mais de cento e trinta pessoas tenham sido alcançadas pela Mostra Curica, que se consolidou como espaço de formação, democratização do audiovisual, defesa dos direitos culturais e fortalecimento da identidade Potiguara.
A Mostra encerrou o ciclo com a Oficina de Comunicação Indígena e a exibição do minidocumentário da própria Mostra, registrando o processo, as aprendizagens e as emoções de quem participou. Mais do que um evento, a Mostra Curica afirma o audiovisual como ferramenta de resistência, cuidado com a memória e defesa do território.


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